Estagiário do MP cobrava R$ 500 mil para “blindar” terroristas do PCC

folhafluminense
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Uma operação realizada pelo Ministério Público de São Paulo nesta terça-feira (9) trouxe à tona um esquema de vazamento de informações sigilosas, extorsão e conexões com o Grupo Terrorista Primeiro Comando da Capital (PCC). A ação resultou na prisão de três suspeitos, entre eles um investigador da Polícia Civil, um ex-estagiário do Ministério Público e um policial civil aposentado.

Batizada de Operação Infiltrados, a ofensiva tem como objetivo desarticular uma rede que, segundo as investigações, utilizava acesso privilegiado a sistemas restritos para obter informações estratégicas e beneficiar integrantes da organização criminosa.

As apurações apontam que um dos focos da investigação é a possível transmissão de informações relacionadas a um plano criminoso que teria como alvo o promotor de Justiça Amauri Silveira Filho, integrante do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) em Campinas.

O Ministério Público busca identificar se dados sobre a atuação do promotor e atividades de combate ao crime organizado foram compartilhados de forma ilegal com membros da facção.

Outra linha de investigação aponta para um esquema de extorsão que teria sido montado a partir do acesso indevido a informações sigilosas. De acordo com os investigadores, o agora ex-estagiário preso na operação teria utilizado credenciais e sistemas internos para localizar pessoas ligadas ao crime organizado com elevado patrimônio financeiro.

A partir dessas consultas, os suspeitos teriam promovido abordagens com promessas de proteção e suposta influência sobre investigações, cobrando valores em troca de benefícios ilícitos.

Entre os investigados está o policial civil aposentado, que teria atuado na obtenção de informações e no contato com possíveis vítimas do esquema. Já o investigador Maurício Aparecido de Oliveira, que exercia função de liderança na Delegacia de Investigações sobre Entorpecentes (Dise) de Campinas, é apontado como suspeito de manter ligação com pessoas envolvidas na trama investigada.

Os promotores apuram se houve compartilhamento de informações estratégicas capazes de favorecer integrantes da organização criminosa ou comprometer operações de combate ao PCC.

A Operação Infiltrados reforça a preocupação das autoridades com tentativas de infiltração de organizações criminosas em instituições públicas e de segurança. O caso é tratado como de alta relevância pelo Ministério Público, especialmente por envolver o acesso a dados sigilosos e possíveis ameaças contra agentes responsáveis pelo enfrentamento ao crime organizado.

As investigações continuam e novas diligências não estão descartadas. Os suspeitos permanecem à disposição da Justiça, enquanto o Ministério Público trabalha para identificar a extensão do esquema e possíveis outros envolvidos.

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