O Ministério Público Federal (MPF) instaurou um procedimento investigatório criminal para apurar se o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, divulgou informações protegidas por sigilo relacionadas à Operação Sem Desconto. A portaria de abertura foi assinada em 15 de outubro pelo procurador da República Gabriel Pimenta Alves. A operação investiga suspeitas de fraudes em descontos associativos sobre aposentadorias e pensões do INSS. 

A investigação envolve declarações feitas por Rodrigues em entrevista ao ICL Notícias, em abril de 2025, após a primeira fase da operação. Na ocasião, ele afirmou que o Sindicato Nacional dos Aposentados, Pensionistas e Idosos (Sindnapi), que tinha José Ferreira da Silva, o Frei Chico, irmão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, como vice-presidente, não era alvo da ação. 

O MPF pretende esclarecer quais informações estavam submetidas a sigilo naquele momento e em que circunstâncias foram divulgadas. O procedimento deverá examinar o conteúdo das declarações e ouvir os responsáveis para avaliar se houve irregularidade na exposição de dados da investigação. 

Segundo a Folha de S.Paulo, o procurador responsável havia inicialmente defendido o arquivamento, por entender que a informação divulgada não era sigilosa nem comprometia a apuração. A 7ª Câmara de Coordenação e Revisão do MPF, porém, determinou o aprofundamento das diligências para esclarecer a divulgação anterior ao levantamento formal do sigilo. 

A Operação Sem Desconto alcança descontos associativos estimados em R$ 6,3 bilhões entre 2019 e 2024. Esse montante reúne cobranças legais e potencialmente irregulares, não correspondendo, automaticamente, ao total comprovadamente desviado dos beneficiários. 

A abertura do procedimento não representa conclusão de que Rodrigues cometeu crime. Conforme o SBT News, a Polícia Federal informou que não se manifestaria sobre a investigação do MPF.