Fim de semana eleitoral tem atos, propostas e primeiro debate entre candidatos à Presidência

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Lula e Flávio Bolsonaro concentraram atenções em atos simultâneos no Rio; Caiado, Renan Santos e Augusto Cury participaram do primeiro debate presidencial, enquanto outros candidatos percorreram cidades, concederam entrevistas e apresentaram propostas

A corrida pela Presidência da República ganhou intensidade neste fim de semana, 22 e 23 de agosto de 2026, com candidatos percorrendo diferentes regiões do país, participando de atos políticos, concedendo entrevistas e apresentando propostas. O domingo terminou marcado pelo primeiro debate presidencial televisionado da eleição, realizado pela Band.

O sábado teve como principal palco político o Rio de Janeiro, onde Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL), os dois candidatos que aparecem nas primeiras posições das principais pesquisas, realizaram atos praticamente simultâneos. No domingo, porém, os dois não participaram do debate presidencial. Romeu Zema (Novo) também ficou fora do confronto.

Lula faz comício em Bangu e concentra discurso em segurança e educação

Candidato à reeleição, Luiz Inácio Lula da Silva (PT) realizou no sábado seu primeiro grande comício da campanha no Rio de Janeiro. O evento aconteceu no Estádio Moça Bonita, em Bangu, na Zona Oeste.

Ao lado de aliados políticos, Lula apresentou a segurança pública como uma das prioridades para o estado. Defendeu o fortalecimento das forças de segurança e afirmou que pretende combater o domínio territorial exercido por organizações criminosas sem apostar em operações de caráter meramente espetacular.

Lula também colocou a educação entre os principais pontos de seu discurso, prometendo ampliar o número de escolas em tempo integral e criar novos institutos federais. Falou ainda sobre investimentos na Defesa Nacional e sobre a necessidade de proteger interesses brasileiros nas relações internacionais.

No domingo, Lula não teve ato público de campanha. O presidente também decidiu não comparecer ao debate da Band, alegando falta de igualdade nas condições estabelecidas para a participação dos candidatos. No mesmo horário do debate, a Record exibiu uma entrevista previamente gravada com o presidente.

Flávio Bolsonaro faz ato no Maracanãzinho e segue para Barretos

Também no sábado, Flávio Bolsonaro (PL) reuniu apoiadores no Maracanãzinho, onde participou do lançamento das candidaturas do partido no Rio de Janeiro, incluindo a de Douglas Ruas ao governo estadual.

A segurança pública dominou o discurso do candidato. Flávio voltou a defender o enquadramento de grandes facções criminosas como organizações terroristas, o endurecimento das penas e mudanças na legislação penal.

Na área social e econômica, afirmou que pretende manter programas de transferência de renda e relacioná-los a políticas de qualificação profissional. Também apresentou a proposta de um programa direcionado à abertura de pequenos negócios, chamado de “Minha Primeira Empresa”.

À noite, Flávio viajou para a Festa do Peão de Barretos, no interior paulista. No evento, direcionou sua fala especialmente ao agronegócio e esteve acompanhado de aliados, entre eles o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas.

No domingo, o candidato não teve ato público registrado e não participou do debate presidencial. Em vídeo publicado nas redes sociais, justificou a decisão dizendo que pretende enfrentar diretamente seu principal adversário na disputa — referência a Lula — nos debates em que o petista estiver presente.

Ronaldo Caiado apresenta propostas e vai ao debate

Ronaldo Caiado (PSD) concentrou sua agenda de sábado no estado de São Paulo. Durante compromissos de campanha, falou sobre infraestrutura e logística, defendendo investimentos que reduzam os custos de produção e aumentem a competitividade, principalmente do agronegócio.

Na segurança pública, voltou a defender medidas de endurecimento contra o crime organizado, construção de presídios de segurança máxima e ampliação do uso de inteligência artificial pelas forças policiais.

No domingo, Caiado foi um dos três candidatos que participaram do primeiro debate presidencial da Band.

Durante o confronto, criticou a ausência dos principais adversários e chegou a defender mudanças nas regras para tornar obrigatória, em determinadas circunstâncias, a participação de candidatos em debates. Segurança pública, economia, relações internacionais e questões trabalhistas estiveram entre os temas discutidos.

Renan Santos apresenta projeto para favelas e participa do debate

Renan Santos (Missão) apresentou no sábado, no Jardim Panorama, em São Paulo, uma proposta batizada por sua campanha de “Marco da Desfavelização”.

O projeto prevê urbanização de comunidades, construção de edifícios residenciais, implantação de infraestrutura e participação da iniciativa privada na transformação de áreas atualmente ocupadas por favelas. Renan também defendeu regras mais rígidas contra invasões de propriedades públicas e privadas.

No domingo, participou do debate da Band e adotou uma postura de forte confronto contra Lula e Flávio Bolsonaro pela ausência dos dois.

Renan também defendeu medidas mais duras de enfrentamento ao crime organizado e sugeriu intervenção federal em áreas nas quais, segundo ele, o Estado tenha perdido o controle territorial para organizações criminosas.

Augusto Cury participa de eventos e quase abandona debate

Augusto Cury (Avante) passou boa parte do sábado em São Paulo. Participou de forma remota de um congresso voltado à área de recursos humanos, gravou conteúdos eleitorais e se preparou para o debate presidencial.

No domingo, protagonizou um dos episódios que antecederam o debate. Ao chegar à Band, anunciou que não participaria como protesto contra as ausências de Lula e Flávio Bolsonaro. Pouco depois, voltou atrás e decidiu ocupar seu púlpito.

Durante o debate, Cury discutiu temas como educação, economia, segurança pública, relações internacionais e corrupção e procurou se diferenciar do tom mais agressivo adotado em alguns momentos por outros participantes.

Zema fala sobre Previdência e fica fora do debate

Romeu Zema (Novo) encontrou aposentados e pensionistas no sábado, na Praça Dom Orione, em São Paulo.

O candidato falou sobre Previdência e defendeu modelos de contratação por hora trabalhada como forma de aumentar a formalização. Também afirmou que mudanças previdenciárias precisam ocorrer gradualmente e reiterou sua oposição às plataformas de apostas on-line.

No domingo pela manhã, Zema participou da Missa da Penha, no Rio de Janeiro. Mais tarde, decidiu não comparecer ao debate da Band. Segundo o candidato, sua participação havia perdido o sentido após a confirmação de que Lula não compareceria.

Hertz Dias mantém campanha nas ruas

O candidato Hertz Dias (PSTU) realizou caminhadas e panfletagens em São Paulo e na região do ABC durante o sábado.

Nos discursos, defendeu políticas de moradia popular e criticou a especulação imobiliária. Sua candidatura propõe um amplo programa nacional de obras públicas, incluindo habitação, escolas, hospitais, creches e saneamento.

No domingo, Dias participou das comemorações pelos 13 anos da Ocupação Esperança, em Osasco, onde voltou a defender um programa nacional de obras públicas como instrumento de geração de empregos e ampliação de direitos sociais.

Edmilson Costa participa de encontro político

Edmilson Costa (PCB) participou no sábado de uma reunião da Internacional Antifascista, realizada na Casa da América Latina, no Rio de Janeiro.

O candidato defendeu a formação de uma frente política e social de caráter anti-imperialista envolvendo movimentos sindicais, populares e organizações de juventude.

No domingo, sua campanha anunciou uma transmissão pela internet para comentar e reagir ao debate presidencial da Band.

Clariana Barão fala sobre fim gradual da escala 6×1

Clariana Barão (DC) concedeu entrevistas durante o sábado e abordou principalmente as relações de trabalho.

A candidata defendeu uma substituição gradual da escala 6×1 pela escala 5×2, sustentando que uma eventual mudança precisa considerar as particularidades de setores como comércio, saúde, indústria e tecnologia.

Segundo a candidata, a transição deveria ocorrer sem redução de salários, precarização ou perda de postos de trabalho.

No domingo, não houve registro de ato público de campanha da candidata.

Samara Martins cumpre agenda em Fortaleza

A campanha de Samara Martins (UP) não apresentou à Agência Brasil detalhes de compromissos realizados no sábado.

No domingo, entretanto, a candidata participou de uma entrevista coletiva na Ocupação Mulher Preta Simoa, em Fortaleza, e posteriormente esteve em um ato político-cultural no Parque Rachel de Queiroz.

Wilson Grassi trabalha programa de governo

Wilson Grassi (Democrata) teve uma agenda menos voltada às ruas.

No sábado, realizou reuniões com integrantes da coordenação e da equipe de marketing de sua campanha. No domingo, dedicou-se ao estudo, detalhamento e definição de propostas complementares ao plano de governo.

Rui Costa Pimenta sem atos públicos no domingo

No caso de Rui Costa Pimenta (PCO), a reportagem da Agência Brasil informou que não conseguiu obter da campanha os detalhes sobre os compromissos realizados no sábado.

No domingo, não houve registro de ato público de campanha do candidato.

Pablo Marçal permanece impedido de fazer campanha

A situação de Pablo Marçal (PRTB) foi diferente dos demais concorrentes.

Por decisão do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Marçal está impedido de realizar campanha eleitoral, participar de debates e integrar o horário eleitoral no rádio e na televisão. Por isso, não participou do debate presidencial realizado pela Band no domingo.

Debate muda o foco da campanha

Se o sábado mostrou candidatos tentando ocupar as ruas e apresentar propostas, o domingo colocou em evidência uma questão que deverá acompanhar a campanha: a estratégia de participação — ou ausência — nos debates eleitorais.

O primeiro confronto televisionado terminou restrito a Ronaldo Caiado, Renan Santos e Augusto Cury. Lula, Flávio Bolsonaro e Romeu Zema, embora convidados, não compareceram.

Com isso, as ausências acabaram se transformando em um dos principais assuntos da noite. Os três participantes aproveitaram o espaço para criticar os adversários, ao mesmo tempo em que discutiram segurança pública, economia, educação, corrupção, relações internacionais e questões trabalhistas.

O fim de semana também deixou evidente a diferença de estratégia entre as campanhas. Lula e Flávio Bolsonaro apostaram em grandes atos e na disputa direta pelo eleitorado do Rio de Janeiro; Caiado, Renan Santos e Cury buscaram exposição no debate; enquanto candidatos com menor espaço nas pesquisas priorizaram agendas temáticas, entrevistas, caminhadas e contato direto com segmentos específicos do eleitorado.

Com a propaganda eleitoral avançando e o horário gratuito de rádio e televisão se aproximando, a tendência é que a disputa ganhe ainda mais intensidade nas próximas semanas.

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