Da luta por justiça à política: Sônia Moura entra na disputa por uma vaga na Alerj

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O nome de Sônia Moura ficou nacionalmente conhecido a partir de uma das histórias criminais de maior repercussão do Brasil: o caso envolvendo sua filha, Eliza Samudio. Desde então, Sônia passou a ocupar um lugar que vai além das páginas policiais. Tornou-se uma voz constante na preservação da memória da filha e na defesa de justiça.

Eliza Samudio desapareceu em 2010. O caso ganhou enorme repercussão nacional e resultou na condenação de envolvidos, entre eles o ex-goleiro Bruno Fernandes. Mesmo depois dos julgamentos, uma questão continuou sem resposta definitiva: o paradeiro dos restos mortais de Eliza.

Para Sônia, portanto, o caso nunca terminou completamente.

Ao longo dos anos, ela acompanhou investigações, julgamentos, entrevistas e novas informações que periodicamente fizeram o desaparecimento de Eliza voltar ao noticiário. Paralelamente, assumiu a criação do neto Bruninho, filho de Eliza, que cresceu convivendo com uma história conhecida por milhões de brasileiros.

A trajetória de Sônia também expõe uma dimensão muitas vezes esquecida nos grandes casos criminais: o que acontece com as famílias quando as câmeras vão embora e o processo deixa de ocupar diariamente as manchetes?

Mais de uma década depois, o caso Eliza Samudio continua despertando interesse público, produzindo documentários, reportagens, livros e debates sobre violência contra a mulher. Para a família, porém, não se trata apenas de um caso famoso. Existe uma filha, uma mãe e uma história interrompida.

Sônia Moura segue falando sobre Eliza para impedir que sua memória seja reduzida apenas às circunstâncias de sua morte.

Sua presença pública carrega uma mensagem simples e difícil de ignorar: por trás de cada grande caso criminal existem famílias que continuam vivendo suas consequências muito depois do fim do julgamento.

E enquanto uma pergunta fundamental permanecer sem resposta — onde está Eliza Samudio? —, para Sônia Moura, essa história ainda terá um capítulo em aberto.

Em 2026 Sônia Moura inicia um novo capítulo de sua trajetória pública: a política. Ela se apresenta para a disputa por uma cadeira de deputada estadual no Rio de Janeiro, levando para o debate eleitoral uma história marcada pela busca por justiça e pela defesa das mulheres.

Durante anos, Sônia esteve diante das câmeras falando sobre o desaparecimento e a morte da filha, um dos casos criminais de maior repercussão do país. Agora, pretende ampliar sua atuação pública e transformar essa visibilidade em representação política.

A entrada de Sônia na disputa eleitoral também levanta uma questão importante: até que ponto uma história pessoal de enorme repercussão pode se transformar em uma plataforma política capaz de representar diferentes demandas da população fluminense?

Entre os temas que podem ocupar o centro de sua atuação estão o enfrentamento à violência contra a mulher, o acolhimento às famílias de vítimas, a proteção de crianças e adolescentes e o fortalecimento das políticas públicas de assistência às mulheres.

Mas a campanha também terá outro desafio: mostrar ao eleitor quem é Sônia Moura para além do caso Eliza Samudio.

Para conquistar uma cadeira na Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro, será necessário apresentar propostas para problemas concretos do estado e demonstrar capacidade de diálogo sobre temas que fazem parte do cotidiano da população.

Depois de anos buscando respostas e mantendo viva a memória da filha, Sônia Moura passa a buscar um novo espaço de atuação.

A pergunta agora deixa os tribunais e chega às urnas: a luta pessoal de uma mãe pode se transformar em uma voz política para milhares de mulheres?

1 = O que motivou sua decisão de disputar uma vaga na Assembleia Legislativa após anos de atuação social?

Minha trajetória sempre foi pautada pela defesa da vida, da justiça e da dignidade humana. Durante anos, estive ao lado de famílias que sofreram com a violência e percebi que apenas cobrar mudanças não é suficiente. Decidi dar esse passo para contribuir diretamente na construção de políticas públicas que realmente protejam as pessoas e previnam novas tragédias.

2 = Como sua experiência como ativista influenciou as pautas que pretende defender na política?

A vivência com vítimas e familiares me mostrou onde o Estado falha e onde precisa agir com mais eficiência. Minha atuação sempre foi ouvindo as pessoas e levando suas demandas às autoridades. Essa experiência fortalece meu compromisso com políticas públicas voltadas à proteção das mulheres, das crianças, das famílias e de todos que vivem em situação de vulnerabilidade.

3 = Quais serão suas principais bandeiras caso seja eleita deputada estadual?

A defesa das mulheres e crianças, o combate à violência, o fortalecimento da rede de proteção às vítimas, o apoio à saúde mental, investimentos em educação e políticas voltadas à inclusão social. Também defenderei o fortalecimento da participação e da representatividade das mulheres nos espaços de decisão, porque uma democracia mais justa precisa ouvir e valorizar as vozes femininas. Quando mais mulheres ocupam cargos de liderança e de representação, mais políticas públicas voltadas às necessidades da população tendem a ganhar espaço e prioridade.

4 =  A senhora ficou conhecida nacionalmente por sua luta por justiça. Como essa trajetória moldou sua visão sobre segurança pública e direitos das mulheres?

Aprendi que justiça não pode ser apenas punição. Ela precisa significar prevenção, acolhimento e proteção. Muitas mulheres ainda vivem com medo e sem apoio adequado. Precisamos fortalecer os mecanismos de proteção e garantir que nenhuma vítima seja deixada sozinha.

5 =  Na sua avaliação, quais são os maiores desafios enfrentados hoje pelas mulheres brasileiras?

A violência, a desigualdade de oportunidades, a sobrecarga de responsabilidades e a dificuldade de acesso a uma rede de proteção eficiente. Ainda há muitas mulheres que enfrentam situações de violência em silêncio por medo ou falta de apoio.

6 =  O que precisa mudar nas políticas públicas de proteção às vítimas de violência?

É preciso integrar melhor os serviços, ampliar o atendimento psicológico, jurídico e social, acelerar as medidas protetivas e investir na prevenção por meio da educação. A vítima precisa encontrar uma rede preparada para acolhê-la com respeito e rapidez.

7 =  Como a senhora pretende aproximar a população das decisões políticas e do mandato parlamentar?

Acredito em um mandato aberto ao diálogo, com escuta permanente da população, visitas às comunidades, prestação de contas e participação ativa da sociedade nas decisões. Política precisa estar próxima das pessoas.

8 = Quais áreas considera prioritárias para investimentos do Estado: saúde, educação, segurança ou geração de empregos?

Essas áreas são complementares. Saúde, educação e segurança são direitos fundamentais, e a geração de empregos promove dignidade e desenvolvimento. O desafio é administrar os recursos com responsabilidade para que nenhuma dessas áreas seja negligenciada.

9 = O que diferencia sua candidatura das demais que disputarão o mesmo eleitorado?

Minha trajetória não foi construída dentro da política, mas na luta pela justiça e pelo acolhimento de pessoas que sofreram com a violência. Carrego a experiência de quem viveu uma dor profunda e decidiu transformá-la em compromisso com a sociedade. Além disso, acredito na importância de ampliar a participação feminina na política, para que mais mulheres possam contribuir com sensibilidade, responsabilidade e compromisso na construção de políticas públicas.

10 =  Que mensagem a senhora gostaria de deixar para os eleitores que ainda estão desacreditados da política?

Compreendo esse sentimento. Também já me senti frustrada. Mas acredito que a política pode ser um instrumento de transformação quando é exercida com honestidade, responsabilidade e compromisso com as pessoas. Precisamos fortalecer a participação da sociedade.

11 =  Muitas vítimas transformam sua dor em militância, mas poucas entram para a política. Por que a senhora decidiu dar esse passo?

Porque percebi que muitas mudanças dependem da criação e do aperfeiçoamento das leis. Quero contribuir para que outras famílias não passem pelo que a minha passou e para que o sofrimento possa gerar proteção e esperança para outras pessoas.

12 =  A senhora acredita que os políticos tradicionais falharam na defesa das mulheres e das famílias brasileiras?

Acredito que ainda há muito a ser feito. Houve avanços importantes, mas eles ainda não são suficientes diante da realidade enfrentada por tantas famílias. Precisamos de políticas públicas mais eficientes e da união de todos os setores da sociedade.

13 =  Como responder às críticas de quem afirma que sua candidatura pode ser impulsionada pela repercussão de uma tragédia pessoal?

Minha história não é um instrumento político. Ela faz parte da minha vida e da minha missão. Transformei uma dor irreparável em trabalho social, acolhimento e defesa de outras vítimas. O que me move não é o passado, mas a vontade de construir um futuro melhor para outras famílias.

14 = Caso eleita, qual será a primeira proposta que pretende apresentar na Assembleia Legislativa?

Pretendo trabalhar pelo fortalecimento da rede estadual de proteção às mulheres, crianças e famílias em situação de violência, ampliando o acesso ao atendimento psicológico, jurídico e social, além de fortalecer ações de prevenção e conscientização.

15 =  O que a senhora considera mais difícil: enfrentar uma tragédia pessoal ou enfrentar o ambiente político brasileiro?

Nada é mais difícil do que perder uma filha da forma como perdi. Essa dor é permanente. Justamente por ter enfrentado essa realidade, acredito que estou preparada para enfrentar qualquer desafio com coragem, equilíbrio e perseverança. Meu compromisso é continuar lutando por justiça, pela proteção da vida e por uma sociedade mais humana.

 

 

 

 

 

Por Luciana Perez

Jornalista e Produtora de Tv

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